Modelos diferentes cachecol, colete, naperon etc... Temos em comum A PAIXÃO PELO TRICO E CROCHE



 
Mariana Castro Carvalho, conhecida como Marie, tem 22 anos e é o nome à frente da Tchibi, marca independente que trabalha, principalmente, com tricô e crochê. Tchibi vem da palavra japonesa Chibi, que significa pessoa pequena. “Tenho muitos amigos de descendência japonesa que me chamavam de Chibi. E quando tive a ideia de criar uma marca independente, eles sugeriram que eu a chamasse por meu apelido”, explica.
Marie começou a desenvolver suas habilidades manuais quando ainda era uma criança. “Minhas duas avós faziam tricô e crochê, assim como minha mãe. Eu as via fazendo cachecóis no inverno e pedia para que elas me ensinassem os pontos básicos”, conta. A partir desses pontos ela resolveu aprimorar sua arte, buscando novas ideias na internet. “Meu maior aliado foi o Google. Eu já sabia o nome dos pontos que eu queria aprender. Era só jogar lá e eu caía em sites que os ensinavam”.

Aos 15 anos ela já fazia aulas de costura e desenho e, em 2009, apresentou uma coleção no Rio Moda Hype, evento que reúne novos talentos da moda e que acontece durante o Fashion Rio. Marie considera essa como a primeira aparição oficial da Tchibi. Este ano, desfilou no Dragão Fashion, em Fortaleza.
Suas criações são peculiares por não explorarem o lado vintage “com cara de vovó”, como a estilista define, dos trabalhos com fios. “Gosto de trazer meu universo para as minhas criações. E meu universo é o urbano. Acabo me inspirando nas roupas das pessoas, nas cores da cidade e em intervenções urbanas”.
Na próxima coleção da Tchibi esses elementos também estarão presentes. Marie já adianta que irá misturar as tramas dos fios com tinta, pintando trabalhos de tricô e de crochê. “Ser um designer independente garante essa liberdade de criação”, afirma.
 No entanto, segundo Marie, a questão comercial e a falta de uma estrutura maior podem dificultar o trabalho. “Nós trabalhamos no esquema de ateliê, com pouco material e poucas pessoas e, ao mesmo tempo, precisamos manter os preços competitivos”, declara a estilista que, hoje, trabalha em um pequeno espaço em Guarulhos, com uma equipe de três pessoas.

Para ela, toda divulgação é uma conquista. “Lembro da emoção que senti ao ver que a revista ELLE falou das minhas peças. Era só uma notinha, coisa que seria pequena para uma grande marca, mas que para mim fez toda a diferença”, diz Marie.
 “Apesar de parecer difícil, acho que não há nada que a persistência não possa superar”, afirma. “É o conselho que posso dar para quem pretende seguir o mesmo caminho. Outra dica é investir na internet. É como divulgo meu trabalho e vejo o que as pessoas acham das minhas peças. É o modo mais fácil de sair da minha salinha e ver o mundo”, relata.
Imagens: Acervo pessoal
Colaborou: Luciana Galastro 


Um homem que faz tricô? De acordo com Leonardo Ruivo, de 30 anos, essa é a primeira reação de quem visita o seu blog, o Achei o Ponto. “Aqui no Brasil conheço só um outro homem que tricota. No nosso país as artes manuais são uma área feminina. Já nos Estados Unidos, por exemplo, existem até grupos de tricoteiros”, conta.
A segunda reação dos visitantes do Achei o Ponto é o encantamento com os trabalhos expostos. Toalhas, blusas, meias, gorros, cachecóis feitos com capricho estampam as páginas do blog. Mas nem sempre foi assim. Alguns anos atrás, por lá, Leonardo postava um tipo diferente de artesanato: seus origamis. Os tricôs apareceram no site só em 2009.
A história de Leonardo com os fios e lãs começou há 10 anos, quando entrou na faculdade. Natural de Caxias do Sul, ele precisou se mudar quando passou a cursar Medicina Veterinária na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Por estar longe de casa, o tricoteiro conta que se sentia deprimido.
“Um dia visitei uma amiga minha e vi que a mãe dela, Dona Cacilda, estava tricotando. Decidi que iria aprender também e ela me ensinou os pontos básicos”, relembra. A partir desse dia, surgiu um vício. Leonardo passou a tricotar nas horas vagas e, preenchendo esse tempo com seus trabalhos manuais, a tristeza de estar longe de casa diminuiu. “É como dizem, mente vazia é a casa do diabo”, brinca.

A partir dos pontos básicos, Leonardo passou a tricotar peças mais elaboradas. “Como todo o tricô é uma variação dos mesmos pontos, ao frequentar sites e grupos na internet eu aprendi a fazer tramas mais complexas.”
Hoje, muitas vezes, é ele o professor. Tricoteiras de mão cheia o procuram para pedir dicas e conselhos e, através do blog, Leonardo conseguiu atingir muita gente. “É muito gratificante ter esse retorno, às vezes vindo de pessoas de idade. Esses dias uma senhora me ligou para agradecer pelo meu blog. Ela disse que nunca tinha comentado, mas sempre acessava. Acho que os contatos que eu fiz são minhas maiores recompensas.”
O desafio de Leonardo agora é manter a frequência das postagens. Para ele, seria ideal exibir pelo menos um trabalho novo no blog por mês. No entanto como, atualmente, ele estuda para concursos públicos, nem sempre é possível.
Para quem quer começar a tricotar, Leonardo dá um conselho simples: não desistir. “Lembro que, em meus primeiros tricôs, fazer a primeira carreira parecia uma corrida de um quilômetro. Depois, com o tempo, você aprende a se deliciar com cada ponto. É importante manter em mente que todos os tricoteiros começaram como você e, hoje, produzem trabalhos incríveis”, conclui.

Imagens: Acervo pessoal
Colaborou: Luciana Galastri

2 comentários:

  1. Obrigada, o seu tbém é muito legal, vc escreve muito bem, lindos poemas e fotos, espero que escreva mais aqui, bjssss

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